quarta-feira, 11 de março de 2009

Ele há constrangimentos... que doem (parte I)


Sábado à tarde. Fui passear o rebento ao jardim. A paródia era o puto ser o pirata em cima do barco e eu o tubarão que o atacava ferozmente.

Na folia, o pirata deixa cair a pastilha elástica que masca e o tubarão agarra-a e grita ao mundo: "Eu sou um tubarão que põe pastilhas elásticas no caixote do lixo!". A piada provoca gargalhadas deliciosas no pirata (missão cumprida!) e, quando regresso ao barco, está outra criança a olhar para nós. Recomeço a empurrar o barco, a outra criança fixa o olhar em mim e eu convido-a a juntar-se à brincadeira. São um olhar forte e um sorriso tímido, que embarcam.

O barco custa a empurrar e o tubarão cansa-se. "Agora empurram-me vocês", digo. Os dois tentam empurrar-me e a dificuldade da acção provoca-lhes risos. O meu pirata farta-se da história e vai direito ao escorrega. O tubarão renasce e persegue-o, mas sem sucesso. O pirata escapa-se para outras brincadeiras.

"Senhora, podes brincar comigo?", ouço. Corrijo-o: "Bardala, o meu nome é Bardala e sim, posso brincar contigo". "Obrigado, Bardala". Abraça-se às minhas pernas com força, este miúdo que me agradeceu assim dizer-lhe que brincava com ele. Observo-o com mais atenção. É o mais novo de três irmãos (com vidas difíceis, parece-me). Uma mãe velha, preocupada e sofrida. Sei, por ela, que o miúdo se chama R. e que tem 6 anos. Mais um do que o meu, mas bem mais baixo, bem mais imaturo, bem mais sôfrego por afectos.

Visto de novo a pele do tubarão que persegue, agora, outro pirata. Há risos. O meu pequeno observa-me mas continua noutras brincadeiras. "Já estou farta desta brincadeira, este barco é muito pesado, R.". A mãe quer e começa ela a empurrar o barco. Não consegue, é preciso ter a força da liberdade para se empurrar aquele barco.

(continua e aviso que vai dar para uns 20 capítulos, pelo menos)

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